terça-feira, agosto 15, 2006

·۰•● Faculdade Tancredo Neves fecha curso de Relações Internacionais ●•۰·

Faculdade Tancredo Neves se prepara para fechar as portas

Alunos são dispensados e só concluintes continuam, para que mensalidades paguem demissões

Renata Cafardo

A Faculdade Tancredo Neves, em Moema, vive um exemplo da atual situação de parte do ensino superior privado brasileiro. A parte que não deu certo. Aberta em 2000, no pico do crescimento do número de instituições particulares no País, hoje praticamente fecha as portas, sem nunca ter dado lucro. No fim de julho, no que seria a primeira semana de aulas deste semestre, os alunos foram dispensados. A explicação foi a de que não havia turmas suficientes para manter a faculdade funcionando.

Apenas os estudantes dos últimos anos puderam continuar, até terminarem seus cursos. "Vi que precisaria de um x de verbas para poder demitir os professores e funcionários, então precisava continuar a receber algumas mensalidades", explica o mantenedor da faculdade, Arnold Fioravante, que já foi deputado e é também um dos proprietários da UniFMU. A Tancredo era dirigida por sua mulher, Ligia Fioravante, e eles decidirão no fim do ano o futuro da instituição. Já não houve vestibular em julho.

Ele conta que, desde o primeiro ano, precisava colocar cerca de R$ 300 mil na instituição, todo mês, para cobrir déficits. "Tínhamos um projeto de cursos espetacular, eu tinha esperança que daria certo", lamenta. Para ele, o problema foi que os alunos "não conseguiram acompanhar o nível de exigência" e foram abandonando a faculdade.

"Fazíamos o vestibular do jeito que todo mundo faz, os alunos acabam aprendendo na faculdade mesmo", disse, ao ser questionado sobre o modo de seleção dos estudantes. Quem recebia a bolsa do ProUni, programa do Ministério da Educação que dá o benefício a alunos carentes em troca de isenção fiscal, não precisava passar pelo vestibular.

Neste ano, havia pouco mais de 100 alunos numa estrutura cara, com computadores individuais, carteiras estofadas e professores doutores. "Cobrávamos R$ 700 de mensalidade, quando deveríamos cobrar R$ 2 mil." A Tancredo chegou a ter 400 alunos e recentemente convivia com classes de apenas cinco.

'JOGADOS NA RUA'

Os ex-alunos elogiam a qualidade do ensino que recebiam, mas culpam a administração pelo fim da instituição e pela maneira como foram avisados. "Recebemos um telegrama de manhã, para comparecer à noite à faculdade na semana em que voltaríamos das férias", conta Lucas de Souza Santos, de 23 anos, aluno de Ciências da Computação. Um mês antes, ele havia pago a matrícula do semestre que nunca iria cursar.

"Fomos jogados na rua, sem qualquer ajuda", diz Henrique Santana Menezes, de 21 anos, que estava no primeiro ano de Administração de Empresas. Desde então, ele já procurou três faculdades para transferência e nenhuma delas o aceitou porque, além das aulas já terem começado, é bolsista do ProUni. Henrique agora espera a resposta da Universidade Anhembi Morumbi, a única que se dispôs a receber os alunos bolsistas da instituição.

Filho de uma família pobre da região sul da cidade, Henrique elogia os professores da faculdade e conta que via nela uma possibilidade de mudar de vida. Os pais estão desempregados. "A educação é a única forma de a gente melhorar e até isso tiraram da gente."

Segundo Fioravante, a instituição ajudou os alunos a encontrar uma nova faculdade. Os estudantes ouvidos pelo Estado dizem o contrário. A Anhembi informou que foram os estudantes que se mobilizaram para pedir vagas em nome do grupo.

Juliana Calori, de 19 anos, também é bolsista e aguarda resposta da Anhembi. Mas os currículos das duas instituições são diferentes e ela terá de cursar novamente o primeiro ano de Administração - Juliana já estava acabando o segundo ano na Tancredo. Além disso, a Anhembi fica na Vila Olímpia e ela demorará duas horas para chegar à faculdade. "Gostaria de estudar onde eu escolhi e não na única que apareceu", completa Katerini Nobre, de 26 anos, que cursava Relações Internacionais. Juliana e outros colegas pretendem ir à Justiça contra a Tancredo.

A instituição oferecia apenas três cursos, de Administração, Ciências da Computação e Relações Internacionais. São áreas que tiveram grande crescimento de oferta nos últimos anos no ensino superior privado, o que pode explicar a falta de alunos. Desde 1994, o País registrou um aumento de 544% no número de cursos de Administração em universidades particulares. No ano 2000, quando a Tancredo foi criada, havia 665 cursos da área no Brasil; atualmente são 1.296.

Relações Internacionais praticamente não existia em 1994, quando a expansão do ensino superior ainda não havia começado. Apenas uma instituição privada oferecia o curso no País todo. Hoje, são 53. O curso de Ciências da Computação foi o único já avaliado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que substituiu o Provão. Os alunos da Tancredo receberam nota 4, um conceito abaixo do máximo.

[O Estado de S. Paulo]

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Fonte: Portal Universia.

domingo, julho 16, 2006

·۰•● União de Micro e Pequenas Empresas em Busca do Mercado Internacional ●•۰·


Força coletiva

Pequenas e médias empresas devem se unir para exportar

[Revista Consultor Jurídico, 4 de abril de 2006, por Darcy Teixeira Junior e Luciana Amendola Imbriani Kreidel]



Os expressivos resultados alcançados pelas exportações brasileiras já são de conhecimento geral. Porém, exportar pode ser um difícil processo para pequenas e médias empresas que atuem isoladamente. Os motivos incluem desde altos custos e riscos até a necessidade de produção em grande escala e representação internacional.
Contudo, uma nova alternativa começa a ser explorada: a associação de várias empresas do mesmo segmento produtivo com vistas a formar um pool ou espécie de consórcio de exportação.
A união pode ocorrer de várias formas. Pode envolver, por exemplo, uma associação sem fins lucrativos que reúne empresas com interesses comuns e fornece assessoria conjunta na busca de mercados externos. Outra estrutura seria uma sociedade com fins lucrativos, seja na forma de sociedade limitada ou anônima, voltada para negócios de exportação e da qual as empresas interessadas seriam sócias. Por fim, poderia ser utilizada uma trading específica para exportar a produção dos fabricantes reunidos.
Ao se associarem com vistas à promoção da exportação de seus produtos, as micro, pequenas e médias empresas passam a contar com vantagens que não estão ao alcance dos exportadores individuais, tais como a redução dos custos de exportação, por meio do compartilhamento de despesas; o aumento no volume de produção, que gera diminuição no custo unitário dos produtos; possibilidade de exploração comercial do produto por meio de uma marca única, forte e unificada; o aumento da competitividade perante os concorrentes (nacionais e estrangeiros); e a maior facilidade de acesso ao crédito.
O reconhecimento pelo governo das vantagens competitivas desse tipo de associação já aconteceu. O BNDES lançou o programa "Pré-Embarque Empresa Âncora", que consiste em um plano de financiamento, na fase pré-embarque, à produção de uma extensa gama de produtos fabricados por micro, pequenas ou médias empresas e exportados por meio de uma empresa âncora, que pode ser uma trading company ou uma empresa exportadora que adquira e exporte parcela significativa da produção de tais empresas.
A grande vantagem do programa é que a trading pode utilizar os recursos obtidos junto ao BNDES para adquirir, à vista, parte da produção de vários pequenos fabricantes. Dessa forma, a empresa âncora fornece capital de giro às pequenas e médias empresas que, de outra forma, não teriam recursos para produzir visando à exportação.
Outro incentivo oficial ocorre por meio do apoio financeiro da Apex-Brasil — Agência de Promoção de Exportações aos projetos de formação de consórcios de exportação composto por pequenos empreendedores. Utilizando recursos federais, a Apex-Brasil pode financiar entre 50% e 100% do custo desse tipo de projeto.
Naturalmente, alguns cuidados devem ser observados. Do ponto de vista comercial, o acordo entre os produtores deve estabelecer questões como preço, custos de produção, produtividade, quantidade a ser destinada ao mercado externo e/ou ao mercado interno e padrão do produto. Do ponto de vista jurídico, a segurança da união só será concreta caso se adote uma estrutura baseada em contratos de longa duração, nos quais haja definição precisa dos direitos e obrigações de cada uma das partes, e imposição de penalidades para a parte que descumprir o acordo ou que desejar se desligar da associação sem justo motivo, por exemplo.
Com um planejamento adequado, a associação de produtores com vistas à exportação representa um caminho extremamente vantajoso para a inserção das micro, pequenas e médias empresas no mercado internacional.

sábado, julho 15, 2006

·۰•● Opep pede apoio para conter alta do petróleo ●•۰·

Organização dos produtores diz ver com preocupação a escalada dos preços
[EXAME, 14.07.2006]

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manifestou preocupação com a escalada dos preços do petróleo e pediu a colaboração dos grandes produtores e consumidores para que a estabilidade do mercado seja mantida. Nesta sexta-feira (14/7), o preço do barril bateu um novo recorde na New York Mercantile Exchange (Nymex), alcançando 78,40 dólares nos contratos para agosto.
O agravamento das tensões políticas no Oriente Médio e as preocupações quanto ao fornecimento de petróleo da Nigéria – país em que duas explosões foram registradas em um duto – inflaram o nervosismo do mercado. "A Opep notou com preocupação a forte pressão de reajuste sobre os preços do petróleo nos últimos dias e deseja garantir ao mercado que manterá seu compromisso de ordem e estabilidade para beneficiar igualmente produtores e consumidores", afirmou a Opep no comunicado, divulgado hoje.
A organização diz na nota que a alta do petróleo ocorre por acontecimentos geopolíticos, apesar de "o mercado continuar bem suprido por petróleo, e em um volume que continua a chegar ao mercado com bastante excesso em relação à demanda." O grupo afirmou que tem aumentado substancialmente a produção de petróleo desde 2004, quando surgiu esta onda de volatilidade. "No entanto, para ser realmente eficiente no aumento da estabilidade e na moderação dos preços, a Opep requisita o apoio total dos outros grandes agentes do mercado, tanto do lado da produção quanto do consumo", continuou, na nota.